O IDOSO E O LUTO DA PRÓPRIA AUTONOMIA

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 MONI: O IDOSO E O LUTO DA PRÓPRIA AUTONOMIA

Por Silvia Basquera Bonamigo – Psicóloga CRP 14/08289-0

Envelhecer não é apenas somar anos. É lidar, dia após dia, com pequenas despedidas de si mesmo.

Estudos mostram que para o idoso, maior que o medo da morte é o medo de ficar doente, de perder a capacidade, de dar trabalho e ficar dependente¹. Cada remédio novo, cada esquecimento, cada queda, é vivida como uma perda.

A psicologia chama isso de luto antecipatório do idoso acerca de si mesmo. É o luto por quem ele foi e já não consegue ser. As perdas implicam na desintegração da autonomia, na dependência dos cuidados familiares e na desorganização da identidade².

Quando o corpo estranha, dói. E não é só dor física, é dor de não se reconhecer mais³.

Por isso, cuidar de um idoso não é só cuidar da medicação. É cuidar da história dele. É permitir que ele ainda escolha, ainda decida, ainda seja protagonista, mesmo com limitações.

Envelhecer com dignidade é poder continuar sendo quem se é, até o fim.

Referências:
¹ SANTOS, W. J.; GIACOMIN, K. C.; FIRMO, J. O. A. Alteridade do corpo do idoso: estranhamento e dor na saúde pública. Ciência & Saúde Coletiva, v.24, 2019.
² GIACOMIN, K. C.; SANTOS, W. J.; FIRMO, J. O. A. O luto antecipatório do idoso acerca de si mesmo. Revista Kairós Gerontologia, v.19, n.esp.22, p.109-133, 2016.
³ KREUZ, G.; TINOCO, V. O luto antecipatório do idoso acerca de si mesmo – Revisão Sistemática. Revista Kairós Gerontologia, 2016.

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