Índios ocupam sede da Funai em Campo Grande; coordenador diz que foi agredido

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Cerca de 40 índios ocuparam a sede da Funai, em Campo Grande, na manhã desta segunda-feira (2). Eles pedem a exoneração imediata do coordenador regional da Funai, Paulo Rios, indicado pelo ministro Carlos Marun (MDB). Lideranças dizem que acampamento é pacífico, mas coordenador alega que foi agredido.

Os índios protestam por suposta ingerência de Paulo Rios, incitação de grupos nas comunidades, além de supostamente reconhecer aldeias que não existem e distribuir certificados a caciques, o que não é atribuição do órgão. As lideranças acampadas são da região de Sidrolândia e Dois Irmãos do Buriti.

“Há um descontentamento geral dos caciques da região não só de Sidrolândia e Dois Irmãos, mas também de Nioaque, Aquidauana e Miranda, por ele fazer algumas ações que não competem a ele e sim à comunidade”, diz o professor Messias, liderança da aldeia Córrego do Meia, de Sidrolândia.

Segundo a liderança, Paulo Rios está fazendo uma gestão autoritária, desrespeitando as cadeias de comando das aldeias. “Só porque ele é o coordenador, no entendimento dele ele pode fazer isso, mas não é ele que tem que dar a última canetada, cada comunidade tem sua administração”, reclama.

Professor Messias enfatiza que o grupo está deixando os funcionários trabalharem normalmente, mas não abre mão da exoneração de Paulo Rios. “Ele já esteve aqui, conversou conosco, mas está normal, tudo funcionando. Só o Paulo Rios que não quis entrar na Funai. Ele estava aguardando a polícia federal”, revela.

Por sua vez, o coordenador regional conta que foi agredido com lanças e pontapés, sendo que não conseguiu dialogar com os índios. “Estou aqui na Polícia Federal, estou todo machucado, vou registrar um boletim de ocorrência. Me agrediram no meio da rua”, relata.

Paulo alega que o descontentamento é de apenas algumas lideranças que querem emplacar Henrique Dias, da região de Buriti, como seu substituto. Bastante abalado, ele apenas garante que não vai renunciar. A ocupação segue sem previsão para acabar.