Órgão da CNBB desmente versão oficial e diz que ação da PM com morte de indígena em MS foi ilegal

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Após os conflitos na região de Amambai, a 352 quilômetros de Campo Grande, entre indígenas e fazendeiros resultando na morte de Vitor Fernandes, de 42 anos, e outros feridos, o Cimi (Conselho Indigenista Missionário) em nota desmentiu a versão da ação policial, que supostamente teria ido ao local para atender uma denúncia de tráfico de drogas.

Em nota, o Cimi que é ligado a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), relata que “A ação de despejo, sem mandado judicial e realizada por um grande contingente de policiais da tropa de choque da PM (Polícia Militar) de Amambai, resultou no assassinato de Vitor, indígena Guarani Kaiowá de 42 anos, e deixou pelo menos outros nove feridos por armas de fogo e projéteis de borracha, alguns com gravidade.”

Ainda segundo a nota, a ação teria sido truculenta com policiais usando armas letais e não letais, e ainda com uso de helicóptero, atirando contra crianças e idosos, sendo que um dos feridos estaria internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do hospital de Ponta Porã, após ser ferido a tiros na cabeça. A ação teria sido ilegal e ainda durante o sábado (25), as lideranças indígenas buscavam por mais feridos e mortos.

“A justificativa apresentada pela Secretaria de Segurança Pública do estado, em entrevista coletiva sobre o caso, reproduz uma série de preconceitos contra os povos indígenas e não encontra respaldo na realidade dos fatos.”, diz a nota que rebateu a informação dada pelo secretário de Justiça, que a ida dos policiais seria por denúncia de tráfico de drogas.

Em coletiva na sexta-feira (24), o secretário da Sejusp (Secretaria de Estado e Justiça e Segurança Pública), Antônio Carlos Videira, disse que os policiais teriam ido até o local para atender uma ocorrência de tráfico de drogas. “Tem muitas pessoas do tráfico em Amambai, por isso, reforçamos a segurança e acionamos o Choque”, disse o secretário em coletiva.

O episódio acorreu dias depois, do apoio popular a militares do Choque que tiveram pedidos de  feitos pelo MPMS (Ministério Público Estadual), em uma ação que também envolvia tráfico de drogas.

Ainda na nota, o Cimi manifesta-se contrário a criminalização das vítimas, “O Cimi manifesta-se contra qualquer tentativa de criminalização das vítimas deste ataque e conclama as autoridades e o Ministério Público Federal a tomar ações urgentes e efetivas para salvaguardar a vida das comunidades Guarani e Kaiowá. É necessário que a Polícia Federal assuma as investigações sobre o caso, com a atuação de um corpo de delegados e peritos federais de fora do estado, para garantir maior isenção.”

Pedido de ajuda

Desde o dia 19 de junho, aldeia indígena de Amambai, pede apoio para providências na área de retomada, por questões de conflitos internos. Os problemas antecederam a retomada a uma propriedade rural no dia 23 deste mês e conflito com policiais militares, que resultou na morte do indígena Vitor Fernandes, de 42 anos.

Em um primeiro ofício, datado de 19 de junho, o pedido de apoio é sob alegação de que há situações de agressividade e violência na retomada das terras. “Há muitos menores de  correndo risco de vida, bêbados e muitos aproveitam o conflito e andam com armas brancas e com facão, lanças, fechando as estradas que a comunidade utiliza”, diz trecho do ofício.

Já no dia 23, marco das primeiras invasões na Fazenda Borda da Mata, ofício foi encaminhado para a Funai (Fundação Nacional do Índio), MPF (Ministério Público) e Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública). No pedido, foi reforçada a situação de conflito interno na aldeia.

Ainda foi ressaltado que alguns envolvidos na retomada estavam agindo com agressividade e que deram tiros com armas de fogo em direção à sede da fazenda. “As lideranças temem que os fazendeiros ataquem os indígenas e que saia alguém ferido, pois no local está ficando tenso”.

Foi solicitado novamente apoio e tomada de providência para resguardar a vida dos indígenas. “Declaramos que não compactuamos com esse tipo de violência dentro da aldeia”, cita o documento.

Indígenas deixaram a fazenda após conflito

Ainda foi ressaltado que alguns envolvidos na retomada estavam agindo com agressividade e que deram tiros com armas de fogo em direção à sede da fazenda. “As lideranças temem que os fazendeiros ataquem os indígenas e que saia alguém ferido, pois no local está ficando tenso”.

Foi solicitado novamente apoio e tomada de providência para resguardar a vida dos indígenas. “Declaramos que não compactuamos com esse tipo de violência dentro da aldeia”, cita o documento.

Conflitos internos em aldeia antecederam invasão em fazenda e confronto com policiais em MS

Ofícios com pedidos de ajuda foram encaminhados para autoridades
Conflitos internos em aldeia antecederam invasão em fazenda e confronto com policiais em MS
Equipes do Choque na região de Amambai – Foto: Leitor Midiamax

Desde o dia 19 de junho, aldeia indígena de Amambai, a 352 quilômetros de Campo Grande, pede apoio para providências na área de retomada, por questões de conflitos internos. Os problemas antecederam a invasão a uma propriedade rural no dia 23 deste mês e conflito com policiais militares, que resultou na morte do indígena Vito Fernandes, de 42 anos.

Em um primeiro ofício, datado de 19 de junho, o pedido de apoio é sob alegação de que há situações de agressividade e violência na retomada das terras. “Há muitos menores de idade correndo risco de vida, bêbados e muitos aproveitam o conflito e andam com armas brancas e com facão, lanças, fechando as estradas que a comunidade utiliza”, diz trecho do ofício.

Já no dia 23, marco das primeiras invasões na Fazenda Borda da Mata, ofício foi encaminhado para a Funai (Fundação Nacional do Índio), MPF (Ministério Público) e Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública). No pedido, foi reforçada a situação de conflito interno na aldeia.

Ainda foi ressaltado que alguns envolvidos na retomada estavam agindo com agressividade e que deram  com armas de fogo em direção à sede da fazenda. “As lideranças temem que os fazendeiros ataquem os indígenas e que saia alguém ferido, pois no local está ficando tenso”.

Foi solicitado novamente apoio e tomada de providência para resguardar a vida dos indígenas. “Declaramos que não compactuamos com esse tipo de violência dentro da aldeia”, cita o documento.

Indígenas deixaram fazenda após conflitos

Após os conflitos que acabaram com indígenas e policiais feridos, além da morte do indígena Vito Fernandes, o clima amanheceu tranquilo neste sábado (25) na Fazenda Borda da Mata. A informação é de que os indígenas deixaram o local ainda na sexta-feira (24).

Equipes da Polícia Militar continuam na área da propriedade rural, mas o clima é tranquilo, sem registro de novos confrontos. Segundo o secretário da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública), Antônio Carlos Videira, os indígenas deixaram a fazenda ainda na sexta.

Já neste sábado, Perícia e Polícia Civil de Amambai trabalham na fazenda, apurando se houve danos ou mesmo furtos e roubos no local. Também de acordo com o secretário, será feita perícia na aeronave da Casa Militar, que foi atingida por dois disparos de arma de fogo enquanto sobrevoava a região.

O helicóptero retornou para Campo Grande na noite de sexta-feira e pousou no Aeroporto de Santa Maria, com os três policiais militares do Choque que ficaram feridos.

Feridos em confronto

Além da morte de Vito Fernandes e três policiais baleados, dois adolescentes indígenas, sendo um menino de 13 anos e uma jovem de 14, foram atingidos por disparos de arma de fogo na região do abdômen e tiveram  de vísceras. Ao todo são 11 vítimas, entre eles indígenas e policiais militares.

A região é chamada de Guapoy pelos indígenas, que afirmam que fizeram uma retomada da área. Logo após a primeira invasão, policiais do Choque foram ao local e o grupo saiu. No entanto, segundo a gerente da fazenda, eles retornaram momentos depois armados, atirando.

Novamente os policiais foram acionados, quando ocorreu o primeiro conflito. O que é relatado pelas Forças de Segurança é que há um conflito interno na aldeia, que a princípio é pacífica.  Os dois jovens indígenas foram levados conscientes para atendimento no Hospital Regional de Ponta Porã, de acordo com o médico ortopedista Edinaldo Luiz de Melo Bandeira, que também é prefeito de Amambai.

Vito morreu atingido por três disparos no tórax e quadril. Além dos adolescentes, uma mulher indígena, foi atendida com ferimento no joelho, causado por arma de fogo. Ela foi atendida e liberada.

Outra mulher adulta, indígena, foi atendida com um ferimento de corte contuso na cabeça e perfuração de projétil de arma de fogo, que transfixou, na região da coxa. Ela encontra-se internada no Hospital Regional de Ponta Porã.

Um jovem adulto, também indígena, foi atendido com fratura em uma das mãos, também causado por tiro. Ele também foi atendido e liberado. Outro homem adulto, indígena, foi medicado devido a um ferimento de arma de fogo na altura do bíceps e já foi atendido e liberado.

Outro adulto homem, indígena, sofreu fratura exposta de fêmur, ferimento causado por arma de fogo. Consciente e orientado, foi levado ao Hospital Regional de Ponta Porã.

Policiais socorridos

Três policiais militares foram feridos por disparos de arma de fogo. Todos foram atendidos no Hospital Regional da cidade e nenhum deles corre risco de morte.

Segundo o hospital, um dos policiais foi atingido no quadril e coxa. Outro policial sofreu ferimento no pé e o terceiro na perna. Após serem atendidos, os três foram trazidos de helicóptero para Campo Grande.

Situação está tranquila

Inicialmente, aproximadamente 100 policiais estiveram no local, entre eles a Polícia Federal. De acordo com o Cimi (Conselho Indigenista Missionário), após a ocupação, indígenas dos povos Guarani Kaiowá foram atacados e expulsos, sem ordem judicial, por fazendeiros e policiais militares do território, chamado de Guapoy pelos índios.

Em coletiva, o secretário Videira disse que entre os indígenas também há estrangeiros, possivelmente paraguaios. Isso, porque eles vêm ao país vizinhos tentar cooptar indígenas como mão de obra barata para a colheita de maconha.

A suspeita é de que sejam estes os homens armados que acabaram entrando em confronto com os policiais do Batalhão de Choque nesta sexta. A reserva de Amambai é a segunda maior do estado de Mato Grosso do Sul em termos populacionais, com aproximadamente 10 mil indígenas.

Para os Guarani Kaiowá, Guapoy é parte de um território tradicional que lhes foi roubado – quando houve a subtração de parte da reserva de Amambai. Os indígenas clamam atenção, exigem proteção às suas vidas e seus direitos.

O MPF (Ministério Público Federal) informou ainda na sexta que acompanha o caso.